Como Pabllo Vittar contribui com o pink money?

Pabllo Vittar, por ser a drag queen mais seguida do mundo, gera curiosidade e acessos para sites que sobrevivem de visualizações. Tanto que Pabllo sempre é alvo de notícias do tipo “Pabllo Vittar posta foto com roupa íntima e volume choca os fãs”. Mas isso é algo que vou comentar mais pra frente. Antes, é necessário falar sobre algo: Pink Money

O termo se refere ao falso apoio a comunidade LGBT, quando artistas ou empresas nos incluem em suas campanhas mas não estão interessadas em apoiar a causa, apenas em ganhar dinheiro com o público gay, que costuma consumir mais que o público hétero.

Se popularizou na internet durante as eleições de 2018, quando Anitta, que já foi coroada rainha da parada LGBT, se recusou a aderir a campanha #EleNão, pois gostaria de manter secreta a sua posição política. Imediatamente as pessoas relacionaram o episódio ao pink money, pois a maior parte do público da artista é LGBT.

Outro caso muito famoso é de um amigo da cantora, Nego do Borel. Para o clipe de “Me Solta”, o funkeiro optou por se caracterizar de mulher e protagonizar um beijo gay, que foi usado na campanha de divulgação da música.

Mais tarde o cantor protagonizou outro episódio envolvendo a comunidade, mas dessa vez sendo extremamente transfóbico ao chamar de homem a transexual Luisa Marilac. Até hoje o cantor tenta se redimir, mas claro, usando o pink money.

Sophia Barclay é uma drag paulista que ganhou destaque depois de apanhar do pai e fugir de casa, quando passou a aconselhar pessoas LGBTs. Recentemente Nego conheceu o trabalho da artista e, sabendo quem são seus 200 mil seguidores, pediu para divulgar seu grupo. Em troca apresentou a queen para suas fãs.

Agora que já apresentei o pink money para quem não conhecia ou não sabia o que significa, posso fazer uma ligação com algo que eu diria que é uma variação desse oportunismo: a repercussão negativa de casos envolvendo pessoas LGBTs para promover alguma marca ou empresa, e como o nome da nossa drag é usado para isso.

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2018 foi um ano bastante agitado, principalmente para as minorias sociais. Durante essa agitação toda, houveram alguns episódios bem interessantes envolvendo a comunidade LGBT e entre eles, claro, muito oportunismo. Pra começar, um caso muito cara de pau e sem noção: #MinhaÚltimaMúsica

No dia Internacional Contra a Homofobia, Bifobia e Transfobia (17 de maio), a rádio Jovem Pan decidiu que seria interessante questionar qual seria a última música que uma vítima de LGBTfobia desejaria ouvir.

Planejada pela agência Lew Lara, a ação contou com artistas LGBTs que conversaram sobre a LGBTfobia. Nas redes sociais vários outro artistas publicaram o material de divulgação da Campanha – entre eles, Pabllo Vittar. Claro que nenhum dos convidados sabia da abordagem polêmica.

Pabllo, ainda em choque, usou o Twitter para negar que tenha publicado qualquer coisa sobre a campanha, e para avisar que a pessoa responsável não trabalha mais com ela. Até hoje a rádio não se posicionou sobre o ocorrido.

Outro momento muito polêmico envolvendo Pabllo Vittar e a comunidade LGBT foi quando a revista IstoÉ elegeu a drag como a 13ª mulher mais sexy de 2018.

O caso gerou revolta imediata tanto da parte de conservadores quanto da parte de LGBTs. De um lado pessoas dizendo que a categoria só poderia ser ocupada por mulheres (cis), enquanto do outro as pessoas diziam que a revista não mediu os riscos antes de usar uma comunidade vulnerável para gerar visibilidade. Esse episódio, apesar de ser bastante problemático, também serviu para que as pessoas discutissem sobre o local que uma drag queen deve ocupar.

E, por fim, não posso esquecer das manchetes que exploram a curiosidade que as pessoas tem nos corpos femininos com pênis. É muito comum encontrar manchetes do tipo “Pabllo Vittar posa de calcinha e fãs ficam chocados com o tamanho do volume”. Elas podem até passar despercebidas, mas não são inofensivas. São perigosas pois são o retrato de quem as consomem.

Eu digo que essas polêmicas são variações do pink money pois também nos usam em benefício próprio sem se importarem com a nossa luta. A diferença é que na hora de criar polêmicas para promover marcas, nem tentam disfarçar que não estão nem aí. Além disso, não necessariamente procuram conquistar a comunidade LGBT. Nós somos apenas parte dos instrumentos usados para chamar atenção de qualquer público que se interesse em defender o espaço de mulheres cis em premiações ou saber como é uma mulher com pênis. Portanto, na hora que algum assunto explodir, é necessário analisar muito bem como devemos nos posicionar. Tomar atitudes precipitadas talvez só contribua com a estratégia dessas empresas oportunistas e não contribui em nada com o movimento.


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Tiago Oliveira

Autor: Tiago

Ator, escritor e compositor. Sou @Oliverti_ em todas as redes sociais. Protejam os animais!