O que é uma drag queen? Descubra a história do movimento e saiba qual papel elas ocupam na sociedade

O movimento Drag vem desde a Grécia antiga, quando homens usavam roupas femininas em peças teatrais, pois mulheres não tinham acesso a esse espaço.

Sofreu modificações e apropriações com o passar do tempo e, com o fim das duas guerras mundiais, com mulheres ganhando cada vez mais voz, essa arte ficou limitada a espaços como boates LGBTs, onde foi resignificada e ganhou o sentido de resistência.

O período da ditadura no Brasil também ajudou a diminuir o movimento, que voltou a crescer nos anos 90, com RuPaul e Priscilla, a rainha do deserto.

Morgana Maddox

Atualmente, depois do fenômeno Pabllo Vittar, a cena drag está em alta no Brasil, e cada vez mais pessoas se sentem encorajadas a aderir a essa arte graças aos artistas que estão ganhando destaque.

Uma dessas pessoas se apresenta como Morgana Maddox e a conheci pelo Instagram alguns meses atrás.

Não tenho certeza de quem seguiu quem primeiro mas a nossa interação começou por lá. Nós conversamos um pouco sobre o espaço que drag queens ocupam:

Quem é Morgana?

“Eu tenho 22 anos, sempre gostei muito de maquiagem, de Halloween, cabelos compridos e saltos altos hahahaha.

Comecei a ter interesse em 2015, mas só fui realmente começar a me montar no meio desse ano (2018).

Eu sempre fui muito exigente comigo mesma, então não queria sair de casa sem me sentir pronta pra isso.

Quem me incentivou muito foi meu namorado que hoje é minha filha drag, Luna Maddox.

No começo foi tudo escondido da família, mas agora já está mais tranquilo, entenderam que é muito mais uma roupa, uma fantasia do que de fato eu querer ser uma mulher, o que, pra mim, não é o que acontece.

Eu só me identifico com a arte drag por meio de um personagem feminino que se chama Morgana Maddox, que é uma bruxa disposta a rebolar muito a raba e dar muito close de beleza hahahahhahaha

Qual é a importância da sua drag para você?

Minha drag me ajuda a ver o mundo com outros olhos, sabe?

Como boy, nos roles, as pessoas criam um pouco de distância, mas de Morgana todo mundo se aproxima, conversa e até Desabafa comigo.

E por conta dessa abertura eu consigo ter uma visão um pouco mais abrangente do que tá rolando com a nossa comunidade, desde os medos devido aos recentes acontecimentos políticos até as aflições de quem ainda está buscando se entender dentro do armário.

A campanha de dezembro é sobre empoderamento. Você acha que a sua drag te ajuda a se esquivar do preconceito?

Ser drag é ato político com maquiagem, peruca e glitter e isso, ao meu ver, não me faz esquivar do preconceito, mas sim dar na cara dele.

O intuito, pelo menos pra mim, é ainda me divertir, mas se no meio disso eu conseguir mostrar que nós resistimos e que não vamos deitar pra homofóbico, transfóbico e toda essa galera atrasada, eu fico ainda mais feliz.

As drags, as afeminadas, as trans e travestis são a linha de frente de toda a luta LGBT, quem sempre deu a cara pra bater.

Renegar essa parte linda da história do movimento é triste.

Além do close, as manas precisam estar sempre atentas quanto ao nosso papel como representantes de toda essa galera.

Durante o meu período de aceitação quem me ajudou foram drags, trans e afeminas, mesmo sem as conhecer. Foi assim com você também?

No começo eu me limitava e me privava muito de agir e ser como eu sou, foi só vendo e sentindo as manas corajosas que eu fui me permitindo ser quem sou hoje.

Mesmo com todo esse orgulho ainda existe uma luta por aceitação e empoderamento?

Acredito que o simples fato de estar me montando, sair pra rua e dar muita pinta já é uma luta diária em busca de representatividade e empoderamento, e é por meio desses dois que vamos ser não somente aceitos, mas também respeitados individualmente e como comunidade.

Queria reforçar que resistimos sendo quem somos. Sem violência e desrespeito vamos lutar para continuar existindo. Drag é mais do que só os closes!

Gostaria também agradecer por me procurar e dar suporte pra quem ta ‘começando’ haha”

Siga Maddox no instagram: instagram.com/maddoxmorgana

Recentemente Pabllo Vittar foi eleita uma das mulheres mais sexy de 2018.

Gostaria de explicar que esse não é o lugar dela pois drags não querem ocupar o lugar de mulheres (cisgêneros ou transexuais), mas querem ocupar um lugar de entretenimento, luta e desconstrução de padrões de gênero.

Como a Morgana disse, drag é apenas arte, um personagem, sem ligação nenhuma com gêneros ou sexualidade.


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Tiago Oliveira

Autor: Tiago

Ator, escritor e compositor. Sou @Oliverti_ em todas as redes sociais. Protejam os animais!